ZéNinguém.Blogspot.com
Quando vi na minha caixa postal um convite do Janio Sarmento “Quer dividir o Viamão Lotado comigo e o Becher?”, fiquei pasmo e satisfeito. Pô, o cara é uma referência na blogosfera brasileira e qualquer convite dele deveria fazer um carinha sair pelado na rua gritando Heureca!
Não cheguei a tanto, mas confesso que metaforicamente que a coisa se passou assim. Então agora, eis-me no primeiro post titubeante tentando entrar no clima deste Viamão já lotado, que se propõe ser Meta blog, o seja, o blog que se debruça sobre as entranhas dos blogs e de si mesmo.
Sei das broncas do Janio com o Blogspot e aqui mesmo no Viamão, dá para ler nas entrelinhas gritantes a linha de pensamento que o cara devota ao assunto, tido por ele como “sinônimo de terra de ninguém, onde só escreve nele quem não leva seus blogs a sério”. Num post mais recente, o Daniel também assesta suas armas contra o Blogspot, denunciando a falha de redirecionamento nos casos de migração Blogspot à Domínio Próprio.
Sim, eu sei que Domínio Próprio é a redenção, o céu de quem publica na Internet, quando a alma escritora pode cuidar do seu próprio nariz. Também sei que o Blogspot se presta para:
Copiotudo.blogspot.com
espalhovirus.blogspot.com
mandotrojans.blogspot.com
sósouspammer.blogspost.com
Nãotenhonadaparaescrever.blogspot.com
amomiguxos.blogspot.com
Porém, mesmo diante da realidade cruel de milhões de blogs absolutamente inúteis e muitos até altamente prejudiciais, sou obrigado a assestar um contraponto em favor do zéninguém.blogspot.com. Encaro o Blogspot como uma grande Incubadora, onde no meio do lixo podem surgir iniciativas geniais, tipo flor de lótus nascendo da podridão.
A diferença entre haver o Blogspot do Google e não haver é a mesma entre ter milhões de pessoas tentando escrever alguma coisa e não tê-las no mercado. Uma empresa que oferece um serviço gratuito, sem quotas de disco e sem ficar tentando te empurrar uma taxinha mensal a título de obtenção de recursos PRO, nem parece ter nascido no coração de uma empresa capitalista. Aos absolutamente miseráveis, não há outro recurso, o catador de lixo pode ir agora mesmo numa Lan House abrir o seu ZéNinguém.
O alcance do benefício social que o Blogspot presta ao zéninguém.blogspot.com é absolutamente não mensurável. É com um misto de alegria e vergonha que declaro o meu deslumbramento e amor por gente que está chegando agora na Internet, se deparando com um universo já construído. Este zéninguém entra no meu Blog assinando “Anônimo” e escrevendo COM LETRAS MAIÚSCULAS, mas deixa seu recado! Reverencio ainda mais quando este zéninguem ousa furar o bloqueio de Nerdice da Internet e coloca no ar o seu Blog de tão mal afamadas linhas.
É isto que acredito ser a maior missão da Internet, a quebra dos monopólios da mídia física, dos encastelamentos culturais e financeiros e das elites NERDS. Definitivamente a Internet não pode ser governada apenas por idiotas portadores da síndrome de Asperger – ela tem que se inserir num contexto maior de espaço livre para que todo o tipo de gente possa se expressar, mesmo que seja com ressalvas, reticências, miguxês, ou o berro das maiúsculas.
O Blogspot com seu zéninguém debaixo do braço vem nos incomodar e questionar o que estamos fazendo e para qual público estamos falando. Confesso cheio de amor, que adoro quando consigo alguma interlocução com o gritador de letras maiúsculas, quando empolgo os anônimos a fazer comentários, sabendo que têm que vencer a terrível barreira semiótica interposta entre eles e o mundo virtual.

excelente texto, mostra o lado de quem está lá. Mas não vou discordar nem concordar agora, seria pegar um Viamão Lotado desnecessário, minha posição está bem nítida nos outros posts.
Este comentário é pra te dar as boas vindas, dizer que fico contente em tê-lo conosco!
Abraço
Eu sabia, quando te convidei, que tua presença daria um novo gás aqui no VL.
Não que o gordo não seja legal, mas — pô! — os pontos de vista dele são muito parecidos com os meus! É um prazer ler a tua tese de que o Blogspot incita a inclusão digital, e embora eu a considere um tanto romântica, ao invés de fazer o que já fiz em outros artigos, vou ficar na sensação boa de ler um texto rico e inteligente, mesmo que eu não concorde com ele.
Vai na fé, irmão, e não te acanhes!
Então vou exercitar aqui o que a censura do meu Blog não permite, enquanto lá ele me aferra ao estilo almanaquístico, neste poderei extravasar alguns gritos na garganta. Felizmente as minhas desavenças com os gordos daqui ficam por aqui, pois no mais fecho com eles às raias da irmandade. Minha broncas se localizam em outros espaços blogosféricos e, quiçá, mais longe.
Vamos dar tempo ao tempo, permitindo que as coisa borbulhem. Idéias é que não faltam. Em suma, posso dizer que a minha experiência pioneira de escrever num blog colaborativo está longe de ser corriqueira, posto que é ímpar – opa, quem sabe não tem aí o gérmen de um próximo artigo? Aguardem…
Em segundo lugar, logicamente que o peso de um elogio de uma “cobra criada” não tem preço, assim como ter leitores do seu quilate.